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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Constragimentos na Farmácia

Olá Pessoal! 
Sejam bem vindos a mais um Post.

Imaginem a seguinte situação.

Acontece normalmente, e geralmente começa como uma atividades normal. Você está com uma coceirinha na virilha e decide se medicar por conta própria. Chega já meio desconfiado na calçada da farmácia, tentando parecer o mais normal possível. Você já nota de longe que o vendedor está com os olhos travados em você, parece até que ele está tentando ler o seu pensamento. Você chega para o tal vendedor e pergunta baixinho, quase sem emitir som e usando os termos mais técnicos que consegue lembrar na hora , "você possui algum creme dermatológico para irritação na região da virilha?". Você tem certeza que falou alto e claro o suficiente para o atendente ouvir, mas ele, claro, pergunta em voz alta, "POMADA PARA COCEIRA GENITAL?". Pronto... está feito o estrago.... sua moral fica mais baixa que o nível do mar... nessas ocasiões você só consegue balançar a cabeça, e o resto da transação é feita quase que somente por gestos. Para piorar, a assistente de caixa, que na maioria das vezes é uma mulher, confirma para você o medicamento que acabou de comprar, enquanto você aguarda numa fila com mais 5 pessoas, no mímimo, escutando todos os medicamentos que você acabou de escolher, "UMA CAIXA DE GENITOX, está correto senhor?"....

Esses pequenos episódios constrangedores acontecem quase que diariamente e nem nos damos conta. Quando somos mais jovens aí é que a coisa aperta mesmo. Lembro bem da voz rouca que fazia, aos meus 15 ou 16 anos, para comprar a coisa mais normal do mundo, camisinha.

"Moça, você possui preservativo de látex masculino?"

Preservativo de Látex Masculino??????????????

Meu amigo... dá mais vergonha falar isso do que de pedir a danada da camisinha, que muitas vezes iria só fazer volume na carteira e injeva aos amigos.

Pior é quando o atendente é um sacana... sim... atendente sacana... porque os donos de farmácia até parece que fazem concurso com esse pré-requisito. Dá até pra imaginar a chamada de emprego. Procura-se balconista, com experiência para envergonhar jovens clientes, para trabalhar na farmácia Medfarma... etc. Ou esses atendentes possuem os olhares que mais embaraçam no mundo ou a situação de expor sua intimidade realmente deixa qualquer um com a moral abalada.

Pois é gente boa... é triste, mas é verdade. E tem mais, se você possui namorada aí é que a coisa complica.
Se algum dia ela pedir para você trazer um absorvente da farmácia, está feito o desmantelo.

Algum dia você já foi nalguma farmácia olhar a parte de absorventes. Meu amigo! Eu calculo que existam mais de 50 tipos diferentes de absorventes, com aba, sem aba, ultrafino, ultra absorvente, fluxo contínuo, fluxo intermitente, pequeno fluxo, adapt, confort, noturno, diurno, para o trabalho, interno, externo, pequeno, médio, grande... e ainda some a isso as combinações... noturno adapt, interno de fluxo contínuo, com aba ultrafino e por aí vai... e deve existir pelo menos mais umas 50 marcas que levam a uma infinidade de modelos. Isso nos leva a uma questão filosófica: Será que existem tantos tipos diferentes de orgão genitais femininos???? Caramba.... sei lá...

O fato é: como você vai saber qual o tipo que sua namorada vai querer? Será que existe tanta diferença? E o sem graça do atendente ainda pergunta "é pra você?"... dá até vontade de mandar ele para aquele lugar...
Aqui vai uma dica minha, nessas ocasiões escolha pelo menos três tipos diferentes, só assim você tem mais chances de acertar! Se sua namorada perguntar, você responde na lata, "Meu amor, você é um ser especial que Deus criou com delicadeza e para passar por mementos diferentes, sendo assim precisa de cuidados adequados, por isso pensei que deveria trazer todos esses tipos, para as ocasiões que você, meu amor, tem que infrentar", garanto que ela não vai nem lembrar o que tinha perguntado em primeiro lugar.

Há quem diga que o melhor remédio para um atendente de farmácia sacana é um cliente sacana. As orientações são as seguintes. Você deve chegar não com vergonha, mas sim fazendo vergonha, mais ou menos assim.
Falando alto "AMIGO, ESTOU COM UMA COCEIRA NA CABEÇA DE MINHA P***, TEM UMA POMADA BACANA AÍ NÃO?". Se algum outro cliente olhar torto, você já emenda "É QUE EU PEGUEI UMA NEGA DA RUA ONTEM E TÔ SENTINDO A P*** ESTRANHA", pode até inserir uma piadinha no meio "HAHAHA CABEÇA DE P*** É ASSIM MESMO NÉ... CADA UM TEM A SUA HAHAHA". Depois desse comportamento, se você não for expulso ou preso, eu garanto que ninguém vai tentar envergonhar você.

Mas como eu não consigo me comportar dessa forma, vou tentando viver saudável. Evitando minhas idas à farmácia, comprando pelo telefone, sempre que posso.

Agora um conselho sério, vamos deixar de nos medicar por conta própria e procurar os médicos que passam muito tempo se dedicando e estudando para cuidar de nossas mazelas!

Pratique esportes e tenha uma alimentação saudável!
Viva saudável e seja feliz!

Então amigos, agora é a hora de compartilharmos.
Comentem suas experiências e ensinem suas táticas.

Atenção, não coloquei imagens por questões óbvias!

Grande Abraço a todos!
Fiquem ligados e até a próxima!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Andar de Lotação

Olá Amigos(as)!
Bem vindos ao nosso Quinto Post!

Infeliz aquele que anda no seu carro sem nunca ter experimentado a aventura que é pegar um coletivo para chegar no seu destino.

Recém chegado na Cidade Grande, aos 18 anos, tendo saído do interior da Paraíba, onde os ônibus eram apenas duas empresas que faziam translado entre Areia e as cidades circuvizinhas(São José e Bela Vista) e mais duas que passavam pela cidade com destino a outros estados (Nordeste e Itapemirim), enfrentei durante um bom tempo o conforto e comodidade que é andar de lotação.

Viação Bela Vista, amplamente utilizada pelos moradores da cidade de
Areia para o deslocamento até João Pessoa.

Para quem é novo nessa modalidade aventureira, tudo começa com aprender qual linha passa em qual lugar. Nesses casos vale a máxima, quem tem boca vai a Roma. Mas... e quem tem vergonha. É amigo, nesses casos um bom ouvido é fundamental. A técnica é a seguinte: no ponto de ônibus, devagar como quem não quer nada, a pessoa vai chegando por trás da outra, olhando para o mundo como quem não quer nada, mas com o ouvido sintonizado na conversa alheia na tentativa de identificar qual o destino delas e comparar com o seu. Entra aí então um pequena complicação. Se você for novo na cidade este plano estará invariavelmente fadado ao fracasso. Sim. Pois, se você não sabe de que lugares e pontos da cidade eles estão falando como vai se orientar? Ou você acha que na conversa alheia vai sair alguma coisa assim, "é mulher... estou indo agora para a rua em que esse menino que está aí atrás ouvindo nossa conversa vai também..." ...
E aqui ainda vale um alerta, esse método possui um grande percentual de chances de você ser encarado, ou mesmo confundido, com algum bandido, trombadinha ou tarado, já que está se aproximando dos outros, sorrateiramente, pelas costas.

Terminal Integração de João Pessoa, por aqui passam linhas de ônibus para
todos os bairros da Capital.

Sendo assim, para evitar o perigo, a melhor técnica mesmo, é o velho e bom método utilizado por cientistas desde a antiguidade, o empirismo, ou como pode ser chamado, o método da tentativa e do erro. O negócio é o seguinte, você vê um ônibus e mais ou menos imagina pra onde ele deve ir, arrisca e vai junto.
O ruim desse método é que você pode acabar gastando uns trocados a mais. Por outro lado você fica conhecendo a cidade. Ah! E não se preocupe, caso você tenha gostado desse método, ou não, você vai utilizá-lo mais de uma vez. Ou você, meu amigo ou amiga, acha que vai decorar todos os lugares por onde o ônibus passou? Da próxima vez que precisar ir para um lugar diferente lá estará ele, o empirismo.
Ah! e cuidado, muito cuidado com números de ônibus parecidos. Por exemplo o 512 é completamente diferente do 521. E isso vai te deixar mais perdido ainda, pois vai acabar te deixando num lugar totalmente estranho que você com certeza nunca viu antes. Pelo menos você sabe que se ficar dentro do ônicus, alguma hora vai acabar voltando pra o lugar de onde saiu, essa aliás é mais uma maneira bem econômica de fazer turismo.

Dentro do ônibus a coisa muda. Você estará sentado e protegido até o fim da viagem, certo? ...

... ERRADO.

É aqui que mora o perigo! Dentro do coletivo você enfrentará desafios como:

Bêbado chato. Esse é aquele cara que cisma que você é o ouvinte ideal para suas conversas sem nexo. Ele começa a falar, pela metade, de um assunto que não lhe diz respeito e que você não está nem um pouco interessado em escutar. Esse cara vai ficar a viagem toda tagarelando e se você pensar em mudar de lugar, se ele não for junto, poderá ficar altamente magoado porque você não quis lhe dar ouvidos. Ah! Não esqueçamos também dos ébrios que falam cuspindo e daqueles que sentados ao seu lado sonolentos, teimam em cair em cima de você. E a coisa só piora se você estiver indo encontrar alguém, que terá certeza que você já deu um gole no Todinho antes do encontro.

O companheiro que exagerou na dose de Todinho e que algumas vezes
fará do coletivo, sua casa.

Cara com Suvaqueira. Para aqueles que não estão familiarizados com o termo, suvaqueira é o odor característico dos gases resultantes do acúmulo de bactérias ou de substâncias não comuns a região das axilas. Esse camarada, que por sinal NÃO sente seu próprio perfume natural, vai andar sempre de pé com os braços levantados, distribuindo assim perfumes para todos, especialmente o passageiro que der a sorte de sentar ao lado do local que o cidadão escolher para ficar.

 É... nesses casos nem é bom comentar nada.

Trombadinha Arrependido de Discurso Decorado. É aquele que decorou um texto que usa em todos os ônibus que entra. Ele fala sem nem parar pra respirar, é mais ou menos assim. BoatardemeusamigosqueestãocomagraçadeDeusandandonesseônibus. Estouaquiparapediraajudadevocêsparaajudaressepobremeninoquenãopodetrabalharparaajudarafamília. Eupoderiaestarroubandomasestoupedindo. CARAMBA! Que raiva que dá. Como é que ele tem o atrevimento de dizer que poderia estar roubando? Dá vontade de bater em quem ainda se compadece com os trombadinhas. E olha que ainda tem umas senhoras que vendo o menino começam a chorar de pena. A globo devia era contratar esse moleques.

Vendedor de Drops. Esse usa a mesma técnica do Trombadinha Arrependido para decorar seus textos, a diferença é que ele fica insistindo pra que você compre um drops, muitas vezes já cheio de formigas e de data e procedência duvidosa. Alguns desses até distribuem papeizinhos contendo um texto, pra não precisarem falar oras..

Emboladores de Côcocaracterística sua. Mais ou menos assim:

Olha aí o meu amigo,
Com a camisa amarela,
Compre a pastilha a mim,
Para não ficar sem ela,
Chegue lá na namorada,
E dê um beijinho nela...

É pessoal. Tem de tudo nos coletivos. Agora triste daquele que tentar fazer feira e levar no coletivo. Nesses casos você dificilmente achará um ônibus vazio. Sabendo do perigo de esperar outro ônibus cheio de sacolas de compras você entra no primeiro coletivo que aparece. Lá vem você com sacolas penduradas até no pescoço, mal entra no ônibus e o cobrador já dá uma pancada com uma moeda na roleta que é o sinal para o motorista partir. Você tomba logo de lado com meio mundo de sacolas na tentatica de se segurar e procurar o dinheiro ao mesmo tempo. Você paga e na hora de passar pela roleta as sacolas ficam engalhando e o cobrador só te encarando. Tudo isso rezando para uma das sacolas não rasgar. Caso isso aconteça aí tá feito o estrago. Se você comprou um refrigerante de 2 litros, pode esperar que a sacola vai rasgar e seu refri vai sair rolando pelo chão do coletivo. Nãos e preocupe, quando você sair provavelmente vai encontrá-lo debaixo da cadeira de alguém lá do outro lado do ônibus.

 Uma situação comum, e por sinal tranquila, do interior
dos ônibus coletivos.

Não pense que o motorista ou alguém vai ajudar você não. Até parece que esses ônibus são feitos para atrapalhar.

Você com certeza já deve ter visto o lugar que eles reservaram para as mulheres gestantes e os velhinhos colocarem suas moedas. Um cofrinho com uma entrada minúscula que no balanço do ônibus ninguém nunca vai acertar.

Ah! E com certeza você já via a cadeira reservada pra que necessita de cuidados especiais. Também chamada de Cadeira da Morte 1 ela está localizada bem na frente do õnibus, sozinha, até parece que numa situação de emergência como uma batida, por exemplo, o aleijadinho, coitado, vai levantar de repente e sair correndo pra se salvar.

Sem falar da Cadeira da Morte 2, também conhecida como Jesus tá Chamando, que está localizada atrás da Cadeira da Morte 1 e que é mais alta que as demais e não possui nenhum anteparo na frente. Ela é reservada para gestantes e mulheres com crianças de braço. Eu aqui faço um apelo, não sentem nessas cadeiras. Corre-se o risco de numa batida o princípio da inércia agir e o bebê sair voando em direção ao pára-brisas igual a um projétil de revolver.

Outra vantagem de se pegar coletivo ao invés de dirigir seu carro. Se você, por acaso, esquecer sua carteira no carro, vai ficar preocupado o dia inteiro tentando lembrar onde deixou a carteira, com todos os seus documentos e dinheirinho sofrido, e vai ter que voltar ao carro para procurar. Se você perder no ônibus, pronto! Nunca mais vai ter que se preocupar com ela, porque, meu amigo, nunca mais você vai ver nem a cor da sua carteira.
O mesmo acontece com todos os outros pertences de pequeno porte, sejam eles, celular, guarda-chuva, bolsa, mochila e outros mais.

Ser assaltado em ônibus também é uma vantagem. Na rua você pode tentar reagir e fugir correndo o que colocará a sua vida em perigo. No coletivo, os sentimentos de reação são reprimidos, porque não vai ter pra onde correr, e sua vida vai estar segura. Ah! E não se preocupe, mesmo que o ônibus esteja lotado, nenhum dos outros passageiros vai reagir também, na verdade eles até vão sair de perto, deixando a certeza de que sua vida estará garantida.

Pois bem caríssimos amigos. São essas experiências que enriquecem nossas vidas e nos propiorcionam lembranças deliciosas. Digo deliciosas porque hoje podemos enxergar ao avanços que fizemos. Podemos sentir todo nosso trabalho dando frutos e nos recompensando pelas boas pessoas que nos esforçamos para ser.

Sendo assim, fica aqui meu grande abraço a todos que compartilham do mesmo passado e mais um alerta final. Caso precisem utilizar o transporte público, não se deixem levar por este Post bem humorado. O coletivo existe e beneficia muita gente, inclusive nós mesmos, ligando grandes distâncias e fazendo história em nossas vidas.

Afinal de contas, nada é tão ruim que não possa ser piorado.

Não deixem de comentar e citar suas experiências.

Grande Abraço a Todos!
Até o nosso próximo Post!
Fiquem ligados!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Compra Lá Pra Mim.

Olá Pessoal.
Sejam bem vindos ao meu Quarto Post.

Esse é dedicado a geração pré-internet, aqueles garotos que conseguiram umas espinhas a mais do que deveriam nos primeiros anos de sua adolescência.

Sem sombra de dúvida a geração YouTube perdeu o que eu entendo como uma das melhores fases da infância e da juventude. Os perigos e as aventuras passadas pelos "experientes" Marceneiros de Quintal, não metiam o medo que era, para qualquer pré-adolescente, conseguir uma revista de Mulher Pelada.

O Cenário

Nós estamos em Areia, uma cidadezinha pacata do brejo paraibano, em meados de 1992. Os valores e a tradição familiar ainda imperam, e a principal fonte educadora é o Colégio Santa Rita, uma escola de tradição e sob regime de Freiras Franciscanas vindas da Alemanha.
Nem se pensava em internet caseira. Na verdade quase não existiam computadores nas casas de muita gente. Kit Multimídia então? Banda Larga e Monitor Colorido eram coisa de filme Sci-Fi. (e lembre que não faz muito tempo os supercomputadores dos filmes eram máquinas enormes cheias de botões e luzinhas coloridas piscando que nem eram computadores de verdade, muitos deles não tinham nem monitor...)
A cidade possuia UMA (01 unidade) Banca de Revistas, que mais parecia um beco sem saída, e a principal atendente era uma senhora no auge de seus 60 anos de idade.

O Dilema, os Problemas e a Missão

No auge dos hormônios, conseguir qualquer tipo de material pornográfico era quase uma tarefa do Seriado Missão Impossível. Quando se tinha notícia de alguém que possuia um material desse tipo todos encaravam a pessoa como a frente de seu tempo, revolucionário ou mesmo rebelde.


Típico exemplo de Revista Antiga. Anúncios provocantes
levavam os garotos a cobiçarem a revista.

Veja que estamos falando aqui de uma simples revista, nada de filme, uma pobre revistinha, a maioria das vezes com fotografia em preto e branco e algumas, não raras vezes, com desenhos, manuais mesmo, de pornografia.
Essas revistas eram tratadas como se fossem as últimas existentes após uma guerra nuclear, material raríssimo e de valor inestimável, logo sendo protegidas como tal.

Em algumas revista as cenas eram desenhos feitos
a mão mesmo, nunca vi coloridos.

O medo de sermos dedurados aos nossos pais, e até mesmo a timidez de irmos até a Banca de Revistas pedir uma revistinha que vinha dentro de um plástico lacrado com letras garrafais pretas dizendo PROIBIDO PARA MENORES DE 18 e em alguns casos 21 ANOS, nos fazia recorrer aquele conhecido mais velho e experiente (geralmente com 14 ou 16 anos). Mesmo recorrendo a eles ainda  corríamos o risco de sermos ridicularizados pela nossa timidez excessiva. Vinha então a pergunta que dá nome ao Post, Compra lá pra mim?

Nesses casos, muitas vezes depois da aula, entravamos primeiro na Banca de Revista como se estivéssemos interessados naquela revistinha da Turma da Mônica ou outra revistinha de Atividades Infantis. A gente ficava olhando e depois de um tempo saíamos dirigindo o nosso olhar para a prateleira especial que ficava na parede,  não por acaso, acima da cabeça da dona da Banca de Revistas. Era quase impossível olhar a revista e não dar de cara com o olhar dela nos encarando. Quando isso acontecia era comum o menino tremer as pernas e gaguejar, na INÚTIL tentativa de dirfarçar seu interesse na pornografia, falando alguma coisa.

O fato era que a gente saía da Banca de Revistas e descrevíamos, para aquele conhecido, a revista que mais havia chamado nossa atenção. "... é uma revista amarela, que tem uma mulher ruiva na capa, com o cabelo em cachos encaracolados e está usando um vestido vermelho..."
O conhecido entrava lá e minutos depois voltava com uma revista que rapidamente colocavamos dentro da mochila onde levávamos nossos livros escolares.


Mais um exemplo da Tentação do Diabo.

Partíamos para casa e veja o que acontecia.
Normalmente quando se chega em casa depois da escola você entra vai para seu quarto joga a mochila na sua cama e sua mãe nunca, eu disse NUNCA, ia olhar nada na sua mochila.
Quando estávamos de posse da revista proibida, ao invés de seguirmos a mesma rotina e não despertar nenhuma suspeita, fazíamos o maior circo.

Você chegava em casa e já demorava o maior tempo para entrar, esperando todos entrarem na sua frente para não levantar suspeitas você ficava arrudiando a casa umas 10 vezes. Depois você entrava sem falar com ninguém e não desviava o olhar pra onde quer que fosse, para não levantar suspeitas. Colocava a mochila totalmente alinhada e justificada no meio da cama, completamente alinhada com os travesseiros, tudo para não levantar suspeitas. Ia para a cozinha almoçar e não dizia uma palavra, quando normalmente passaria o almoço falando, somente pensando na revista, para não levantar suspeitas. Quando sua mãe esboçava a menor reação de fazer uma pergunta, rapidamente você ficava com olhos e ouvidos bem abertos para responder de primeira e, sem sucesso, da forma mais natural possível com o intuito de não levantar suspeitas.
Terminava-se a refeição e corria-se para o quarto verificar a integridade do pacote secreto que ninguém havia sequer chegado perto, graças, claro, a todas as medidas de segurança que havia tomado. Tirava a revista da mochila e rapidamente escondia no lugar mais secreto possível. Embaixo da cama, dentro daquela pilha de brinquedos que sua mãe nunca mexia, dentro do armário, dentro daquele boneco oco, etc.. cada um usava a imaginação que tinha. Só depois você ficava mais tranquilo, mas sempre atento para uma mudança no comportamento de sua mãe.

Quando seus pais anunciavam uma viagem que você normalmente daria tudo pra ir, vinha a resposta: "num vou não... tô sem vontade...". Essa era a oportunidade perfeita para olhar aquela revista especial. Você esperava ansioso seus pais e irmã(ãs) saírem de casa para ir depressa até o enconderijo pegar a revista, abrir o saco com cuidado e descobrir que se tratava não de uma revista com fotos coloridas como mostrava a capa, mas sim de um livro de contos. Agora me diga, quem é que quer um maldito livro de contos sem uma foto sequer?
É amigos é o risco que se corre ao pedir para alguém fazer o que deveria ser feito por você mesmo.

Sendo assim, o melhor mesmo era conseguir esse tipo de material no mercado negro, ou seja, com o conhecido do amigo de um amigo seu. Geralmente ele cobrava de você um precinho "camarada" pelo material de primeira, mas algumas vezes, você conseguia de graça, eram os casos em que os caras mais velhos, com "outras coisas mais reais" em mente e em prática, deixavam o legado para os mais jovens.
Com o material em mãos era hora de juntar a galera e apreciar a natureza em sua forma mais primitiva. Aqueles desenhos em preto e branco despertavam os jovens homens presos em nosso corpos de meninos. A satisfação era garantida.

Depois de algum tempo estudando a arte era hora de guardar o material para consultas futuras. Aí cada um dava seu jeito. Alguns escondiam, deixavam com os amigos, camuflavam no meio de outras revistas, deixavam embaixo do colchão, no forro do teto, etc.
Eu particularmente bolei uma técnica, digamos, pirata. Construí uma caixa de madeira com sobras de caixas de uva, coloquei as revistas dentro de um saco plástico, coloquei dentro da caixa, cavei um buraco atrás do muro de casa, enterrei as revistas e marquei o local num tijolo do muro...
Lembro que foi tão cansativo que eu só tive coragem de desenterrar o material uma vez. Depois nunca mais enterrei denovo.


Outra forma que eu tinha de arrumar pornografia era na Festa da Padroeira da Paróquia de Areia, no mês de dezembro. Nessa época varias barracas de jogos e diversões iam para a cidade, dentre elas algumas vendiam uns artigos ilícitos para o garoto que pudesse pagar. Dentre os artigos estavam alguns baralhos eróticos (relativamente caros para se comprar com a mesada) e calendários de mulheres peladas (bem mais acessíveis). Eu comprava uns dois desses calendários, que geralmente mostravam belas moças montadas ou ao lado de cavalos, comprava o ingresso da Roda Gigante e esperava ficar lá em cima para sacar o calendário do ano passado do bolso e admirar a arte.

Lembro também que passar em frente das oficinas mecânicas sempre rendia um olhadinha nos pôsters das belas mulheres com roupas rasgadas... coitadinhas.

Mas aí meu bigodinho de 14 anos já estava nascendo e eu tinha certeza absoluta de que com ele poderia muito facilmente enganar a dona da Banca de Revistas.
Mas ela sabia, e eu sabia que ela sabia, que no fundo eu sabia que ela sabia que eu não tinha a idade do aviso na capa da revista. Mas mesmo assim ela vendia, sabendo que bons garotos não são moldados por uma simples revista.
Afinal, de que vale a vida sem um pouquinho de pimenta.

Grande Abraço a Todos!


Comentem suas aventuras!!


Até o próximo Post!


terça-feira, 30 de março de 2010

Marcenaria de Quintal

Quem nunca deu uma de marceneiro de quintal? Talvez, para a geração de garotos de hoje, a internet seja o principal atrativo quando se fala em diversão e passa-tempo, mas para alguns de nós, um pouco mais velhinhos, quando conversas com vídeo era coisa de cinema Sci-Fi, e celular eram duas latas de leite ligadas por um barbante, muitas vezes nossos quintais eram o principal ingrediente da fórmula secreta da diversão.

Telefone de Lata, principal meio de comunicação dos
Marceneiros de Quintal.


Recolher Matéria Prima, muitas vezes destroços de eletro-eletrônicos e aparatos domésticos diversos, já era por si só pura diversão. Para aqueles que tiveram a sorte de morar em cidades pequenas e pacatas, como Areia, aventurar-se em territórios alheios em busca de aventuras era fator determinante na personalidade de 9 em cada 10 garotos com idade entre 8 e 18 anos. Essas aventuras por si só renderão um Post futuro.Diante do vasto mundo dos materiais abandonados, tudo que chamava atenção era motivo de exploração e valia a pena ser investigado aos detalhes.

E nesse mundo maravilhoso da criatividade TUDO pode ser aproveitado. As velhas havaianas, que tinham a mania de torar a correia, quando não eram reaproveitadas com um prego ou arame para segurar a correia, eram rapidamente recolhidas e transformadas em matéria de primeira para a confecção de pneus de carrinhos de madeira e lata. Latas de óleo eram aproveitadas e transmutadas em lataria de primeira qualidade na prensagem das partes metálicas dos carrinhos.
Sandálias Havaianas, largamente utilizadas na confecção dos
pneus de carrinhos de lata.



Carrinho de Lata, uma especialidade dos
Marceneiros de Quintal.


Já os guarda-chuvas eram muito mais versáteis, suas hastes eram utilizadas desde eixo de rodas de carrinhos até agulhas de zarabatanas feitas com espuma de colchões velhos e atiradas por meio de um super cano de PVC.

Guarda-chuva pronto para reutilização.

Eis que surge a nossa vista o maior material já inventado por Deus no suporte dos garotos marceneiros de quintal, a madeira. Oriunda das mais diversas fontes, desde caixotes de frutas como uva, pêra e maçã, passando por pedaços de móveis e camas até direto da fonte em árvores e arbustos, esse material, altamente moldável e ajustável era a base de quase tudo que queríamos inventar. Nele podíamos colocar pregos e parafusos, ou mesmo cortar e serrar, tudo dependendo unicamente da nossa vontade e de um fator determinante que falarei mais na frente, as ferramentas. Muitas vezes maltratada e utilizada por nós como alvo de tiros de nossa potente zarabatana, a madeira sempre foi fundamental.

Caixote de madeira, muito utilizado nas invenções domésticas.

Como nem tudo que reluz é ouro, comummente acontecia de pegarmos algo que depois de carregarmos durante todo o percurso se mostrava ineficaz ou mesmo era substituído por outro material mais adequado. Também era comum pegarmos algo que não podia ser pego, já tinha dono, que muitas vezes, quando encontrada dentro das imediações de nossas casas pertencia a nossos pais e estava em perfeitas condições de uso. Mas nós adorávamos desmontar e desmantelar. O que nos rendia alguns contratempos domésticos (um carãozinho, um castigo, ou pior...). E, algumas vezes ainda, pegávamos materiais demasiadamente perigosos, que nos renderiam uns ferimentos e arranhões a mais, ou mesmo mais contratempos domésticos (um carãozinho, um castigo, ou pior...).

Gaiola de Ferro, amplamente utilizada para domar, quando
necessário, os Marceneiros de Quintal.


Depois de reunida toda a Matéria Prima, eis que surge o grande problema: onde conseguir ferramentas? Quem tentou se aventurar como eu sabe que nossos pais não eram bobos. Eles sabiam que nós ficaríamos maravilhados com suas ferramentas reluzentes, tentaríamos utiliza-las e acabaríamos avariando aquilo que não deveríamos. Sendo assim eles separavam umas ferramentas "pé-de-chulé", aquelas acabadas e sem serventia, mas que eles achavam que em nossas cabeças acharíamos melhores que as deles. Pura ilusão... Onde um martelinho enferrujado e com o cabinho de madeira suja seria melhor do que aquele MARTELO TRAMONTINA, com cabo resinado e cabeça reluzente. Pois é... ao final de nosso dia de trabalho, cadê o martelo? Mais alguns contratempos domésticos (um carãozinho, um castigo, ou pior...).


Martelo Tramontina, altamente cobiçado pelos
Marceneiros de Quintal.


Não importa. No final o nosso suor e o resultado de horas de trabalho, sozinho ou acompanhado, sempre rendia a satisfação de saber que a nossa Obra de Arte serviria plenamente para...


... nada...


... a não ser para preencher nossos espíritos aventureiros e emprenteiros, ou para somar mais um brinquedo que usaríamos até anoitecer, ou melhor, até que nossas dedicadas mães nos chamassem para jantar, e que depois juntaria-se aquela pilha num quartinho separado por nossos pais especialmente para nossas artimanhas.

Talvez grandes inventores tenham sido Marceneiros de Quintal, talvez grandes idéias tenham surgido da cabeça de grandes garotos. Talvez... eu não sei. Mas que passar um dia inteiro vivendo como o que quer que quiséssemos era maravilhoso, isso era.

Bons tempos!